Title:  REPENSAR OÉ-CUSSE - TIMOR LESTE | ENSINO E INVESTIGAÇÃO EM ARQUITETURA RETHINKING OÉ-CUSSE - TIMOR LESTE | TEACHING AND INVESTIGATION IN ARCHITECTURE

ISBN:  978-989-8481-68-9

Dimensões: 0 cm × 24 cm × 24 cm

Peso: 0 g

Data:  2018

Edição:  1ª Setembro | E-book | Formato PDF | Gratuito

Número de Páginas:  284

Colecção:  Fora de Colecção

Texto de Apresentação: 

Um enclave num território hostil e já em si social e economicamente fragilizado, constitui um desafio complexo quando se pretende contribuir para um processo de desenvolvimento com base nos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS).

A beleza da paisagem natural em Oé-Cusse é marcada pela exiguidade do território e pela ausência de recursos e de acessibilidade sentidas.

A variação de altimetria no território que ocorre ao longo de poucas centenas de metros, limita a sua utilização para uma agricultura em extensão e obriga a grandes percursos para vencer curtas distâncias que são delimitadas por longos espaços de linhas de água.

A constante visão da montanha não nos deixa esquecer as dificuldades que a população sente de limitação da mobilidade e na apropriação do território para a construção de habitação, ou mesmo de produção alimentar.

Em contraste, surge no território uma faixa oceânica rica em corais que a pontuam, fazendo da sua cor azul turquesa um infinito manto que vai cobrindo o território ao longo do ciclo das marés.

A população local exibe uma postura com reduzidos contactos sociais, em grande parte como resultado de 23 anos de ocupação do território por uma potência estrangeira, não existindo um contexto para iniciativas de convívio fora do círculo familiar.

Mas, é, no âmbito da família que provém o elevado número de população jovem que caracteriza o território e que nos indica a necessidade de oferta facilitada a espaços de convívio social entorno dos quais a economia pode vir a surgir.

Neste contexto, a orientação geográfica do território a Norte permite explorar e ordenar o uso da diminuta faixa de território que unifica a zona de montanha com a zona de costa. Não sendo a postura da população local na procura do exterior da habitação para o “deixar passar do tempo”, é colocado um novo e importante desafio, que é, como promover a melhoria das condições da habitação.

A temperatura alta e a humidade elevada fazem-nos recordar a todo o tempo que estamos na região asiática que sendo um território de adversidades é, ao mesmo tempo, um local de oportunidades.

A hesitação no diálogo com os visitantes, como reação ao desconhecido, constitui uma dificuldade. Contudo, o facto histórico da presença dos portugueses e da sua memória consegue captar mais simpatia e cordialidade, o que conduz a que possamos ser mais facilmente aceites e recebidos.

É sobre o tempo, o espaço público e a memória que vamos sendo dirigidos para o objetivo de transformar o território atual, através de uma resposta ao exercício que o laboratório de Arquitetura do Projeto Final colocou no ano académico de 2016/2017 aos estudantes de Arquitetura do Instituto Superior Técnico.

Com suporte na vertente histórica compreendida no local e no modelo social atual, os estudantes transportaram para o projeto a síntese de uma reflexão mais alargada que a simples produção de um novo desenho do território.

Este livro constitui o primeiro da série “Repensar”, de Ensino e Investigação em Arquitetura que, com início numa abordagem ao planeamento urbano, conduz os estudantes ao projeto real. Num contexto de elevada dificuldade que se concretiza numa intervenção para reforço do espaço público e na conceção de um Módulo Adaptativo de Habitação de Baixo Custo, onde os estudantes são conduzidos a densificar o programa Casa +, delineado pelo GEOTPU.LAB para Oé-Cusse em Timor-Leste.

O exercício aqui refletido é acompanhado do texto de outros participantes e especialistas, que comentaram as condições do local, e sobre o processo do projeto.

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An enclave in a hostile and already socially and economically fragile territory is a complex challenge when it is intended to contribute to a development process based on the United Nations Millennium Development Goals.

The beauty of the natural landscape in Oé-Cusse is part of the smallness of the territory and the lack of resources and accessibility.

The variation of altimetry in the territory that occurs along a few hundred meters limits its use to an agriculture in extension and obliges great routes to overcome short distances that are delimited by long spaces of watercourses.

The constant vision of the mountain does not allow us to forget the difficulties that the population feels in terms of limited mobility, appropriation of the territory for the construction of housing or even food production.

In contrast, an oceanic strip rich in corals appear in the territory that punctuates it, making its turquoise blue color an infinite mantle that covers the territory along the tidal cycle.

The local population presents a posture with reduced social contacts, largely because of 23 years of occupation of the territory by a foreign power, having no context for community initiatives outside the family circle.

But it is within the family the higher number of young people come from that characterize the territory and that indicates us the need of facilitated offer to social spaces in which the economy can emerge.

In this context, the geographical orientation of the territory to the North allows to explore and order the use of the small strip of territory that unifies the mountain area with the coastal zone.

Not being the reason why the local population seeks the exterior of the housing to just "let the time passing by", it is posed a new and important challenge on how to promote the improvement of housing conditions.

The high temperature and high humidity make us remember all the time that we are in the

Asian region, being a territory of adversity and, at the same time, a place of opportunity. The hesitation in the dialogue of the visitors as a reaction to the unknown is a difficulty to change immediately. However, the historical factor of the presence of the Portuguese and their memory can capture more sympathy and cordiality, which lead us to be more easily accepted and received.

It is about the time, public space and memory that we are being directed to look for, in order to pursue the transformation of the current territory context and by promoting a response to the exercise that the Architecture Laboratory of the Final Project had put in the academic year of 2016/2017 to the architecture students from Instituto Superior Técnico.

Thus, and with support on the historical aspect understood in the place and the current social model, the students carried the synthesis of a broader reflection than the simple production of a new drawing of the territory.

This book is the first of the series intituled “Rethinking”, of Teaching and Research in Architecture, starting with an approach to urban planning, that leads the students to the real project. In a context of high difficulty, it is materialized an intervention to reinforce public space and Design of a Low-Cost Adaptive Housing Module, where students are led to densify the Casa + program, outlined by GEOTPU.LAB to Oé-Cusse in Timor-Leste.

The exercise reflected here is accompanied by some texts from other participants and experts who commented on the site conditions and the project process.

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ALUNOS DO CURSO MESTRADO INTEGRADO EM ARQUITETURA, ANO CURRICULAR 5, SEMESTRE 1 e 2

Ana João Pinto Santos

Andrea Ballestin Gracia

Elżbieta Hamadyk

Giulia Laglia

Jaime Javier Gutierrez Tejedo

Justyna Maria Feliksik

Lourenço Baptista Branco

Maria Fernanda Zamudio

Mariana Reis Batista

Raquel Teixeira dos Santos

Rik de Bondt

Rita Cardoso de Lemos

Rui Corales de Oliveira

Teresita Llodra

Yufeng Tu

PROFESSORES CONVIDADOS

Alexandra Paiva | Arquiteta

António Ribeiro Amado | GEOTPU.LAB

Evelina B. Moura | GEOTPU.LAB

Gonçalo Byrne | FCT UC

Hugo Farias | FA UL

João Pedro Costa | FA UL

João Pedro Rodrigues | FA UL

Jorge Silva | IST UL

José Barra | JB Architects

Lígia Nunes | ASF

Manuel Duarte Pinheiro | IST UTL

Paulina Faria | FCT NOVA

Pedro Brandão | IST UTL

Teresa Heitor | IST UTL

Vítor Carvalho Araújo | IST UTL

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